Observatório da Jihad


22.8.06

A nova insegurança

por Álvaro Santos Pereira
Universidade de York
in
Diário de Notícias, 22 Agosto 2006

Cinco anos após o 11 de Setembro, regressaram os fantasmas do terrorismo capaz de atingir e paralisar as principais economias do mundo. Felizmente, desta vez as polícias ocidentais foram capazes de travar uma operação terrorista de grande envergadura antes de esta acontecer. Porém, esta nova ameaça terrorista veio reforçar os sentimentos de insegurança que grassam no mundo desde aquele fatídico 11 de Setembro. E veio também demonstrar que a guerra no Iraque pouco ou nada fez para aumentar a segurança global. Muito pelo contrário. Não só esta guerra reacendeu lutas milenares entre as duas principais facções do Islão, como crescentemente tem sido pretexto para recrutar jovens para as causas fundamentalistas.

Igualmente, esta nova ameaça terrorista evidencia o quão erradas foram as (inexistentes) políticas de imigração e de integração das últimas décadas. Ora, se há uma coisa que a recente ameaça terrorista nos deve fazer reflectir é que o problema do fundamentalismo islâmico já não é somente externo mas também interno. Contrariamente aos terroristas dos atentados de 11 de Setembro ou aos bombistas de Madrid, os suspeitos são home-grown, ou seja, são cidadãos de pleno direito nascidos em países ocidentais. Quer por discordarem da política externa dos seus governos, quer por não se sentirem integrados nas sociedades, quer pela miragem fundamentalista, estes jihadistas tornaram-se nas novas presas dos fundamentalistas. E são muito mais perigosos, porque encontram-se no meio de nós por direito próprio. Deste modo, perante esta terrível ameaça, é urgente não só aumentar os níveis de segurança, mas também promover uma maior integração e diálogo entre os diversos grupos da sociedade.

O mesmo raciocínio se aplica a Portugal. Apesar do mito dos brandos costumes, é uma ilusão pensar que não existem riscos para a nossa segurança. É obvio que o risco de ataque é muito menor do que nos EUA ou no Reino Unido. Mesmo assim, o nosso país poderá tornar-se num dos alvos dos jihadistas, quer porque (felizmente) apoiamos as potências ocidentais, quer porque a nossa economia tem muitas empresas desses países, quer porque, acima de tudo, historicamente Portugal é considerado pelos jihadistas território pertença dos conquistadores árabes. Neste sentido, seria aconselhável não esquecer que muitas das principais organizações terroristas de origem árabe têm nos seus princípios directores a recuperação dos territórios ibéricos perdidos durante a reconquista cristã.

Acima de tudo, as recentes ameaças terroristas conjugadas com a perigosa espiral de violência no Médio Oriente demonstram quão volátil e perigoso se tornou o nosso mundo. Apesar de às vezes termos a ilusão de que deixámos para trás tantos milénios de violência, a triste verdade é que a nossa apetência para a selvajaria e a barbárie não parece dar mostras para abrandar.

9 Comments:

At 12:24, Blogger Anthrax said...

Bom amigo Sliver,

Olivença também é nossa e eu ainda não vi ninguém ir lá buscá-la. :))) Gostaram? Esta agora foi gira.

Tirando isso, acerca de Portugal eles podem considerar o que bem entenderem, foram corridos uma vez, se-lo-ão corridos quantas vezes forem necessárias.

Já dizia um General Romano que nós éramos um povo que não nos governávamos, nem nos deixávamos governar. E neste caso, a tradição ainda é o que era.

 
At 13:51, Anonymous Anónimo said...

Portugal é dos jihadistas como Palestina é dos judeus... Uma moeda faxes diferentes! J<>J P<>P. Deixe de criar falsos alarmismos Sliver. Qual é a sua agenda?

 
At 13:51, Anonymous Anónimo said...

Atenção que pelo que dizem também temos genéticamente e culturalmente heranças àrabes e islâmicas.
Mas isso não quer dizer que aceitamos aquele tipo de cultura e de politica, a dos jihadistas e amigos.
Não somos nem seremos escravos, e até temos mais conhecimentos para desmascarar aqueles tipos de ditaduras.

 
At 13:56, Anonymous Anónimo said...

quis dizer faces da mesma moeda P<>P J<>J. Uma moeda falsa, a Sliver-Style! SS?

 
At 14:06, Blogger Virus said...

Caro Invertebrado-Anónimo, tá a ver I<>A,

Essa do SS parece vinda de quem não lê (ou então lê mas não computa lá muito bem) o que por aí anda das ligações dos SS/Nazis aos extremistas islâmicos...

Essa mania que têm de rotular e apelidar quem defende o nosso meio de vida e a nossa cultura, independentemente da raça oureligião, de extrema-direita de forma sistemática e recorrente já a roça a paranóia... Não sabe, nem tem nada de mais inteligente e articulado para dizer?... Bom...à luz do género de comentários com que nos brinda por aqui não deve ter, nem sequer deve saber...

A agenda do Sliver não é mais do que recriar as Cruzadas contra o Islão na Europa... até lhe digo a que igreja ele vai, e a que horas são as reuniões para discutir os progressos da missão... e aproveito para lhe dizer que vale bem a pena assistir... há pastéis de nata à borla... :)

 
At 16:22, Blogger Anthrax said...

Ora aqui está um anónimo iluminado! Ainda bem que finalmente aparece alguém com bom senso, já estava a ficar farto destes «nazistas».

Quer saber qual é a agenda do Sliver? Eu digo-lhe mas, isso não é para espalhar que anda por aí muita gente invejosa. Cheira-me a que é um PDA mas, também pode ser um filofax. A minha é dos "Morangos com Açucar" (tentei arranjar uma da "Floribella" mas estava esgotada), «prontos» esta parte foi só um desabafo.

Tirando isso, o amigo deu ali um pontapé gravíssimo na gramática. «e até temos mais conhecimentos para desmascarar aqueles tipos de ditaduras». - Chama-se a isto a não concordância verbal. Para estar correcto teria de ter escrito: «e até temos mais conhecimentos para desmascarar aquele tipo de ditaduras». Estas chamadas de atenção são lixadas, eu sei, mas eu preocupo-me com estas coisas e acho que pessoas inteligentes devem saber escrever bem (relevei a dos faxes, porque o amigo corrigiu, foi um lapso, acontece), para melhor exporem as suas ideias.

Outra sugestão que fica é a de ler algumas coisitas sobre história contemporânea, sendo que se gosta de 2ª Guerra Mundial e de toda a filosofia política em torno do tema, há imensos livros. Este exercício, normalmente, impede as pessoas de dizerem determinado tipo de asneiras.

Quanto à herança genética e cultural (é verdade, atenção que: geneticamente não tem acento no 2º "é"), pois dizem que sim. Mas enfim, nessas coisas cada um "carrega a cruz" que quiser. Pessoalmente, decorei um provérbio árabe que diz assim:

"Quem diz o que não deve, ouve o que não quer".

 
At 16:39, Blogger Sliver said...

Lá está o Anthrax na enganar os incautos... toda a gente sabe que eu só uso o Outlook.

 
At 18:34, Anonymous a14 said...

«e até temos mais conhecimentos para desmascarar aquele tipo de ditaduras»
obrigado pela correcção. Mas a dos faxes não é minha.
a14

 
At 20:56, Blogger Anthrax said...

Caro Sliver, por momentos pensei que ia dizer que tinha uma agenda dos D'zrt :)

Caro a14, quando aparecem "anónimos" todos de seguida não dá, exactamente, para ver quem escreveu o quê. Pensei que fosse tudo o mesmo. De qualquer maneira, independentemente da gramática, percebi o que queria dizer (e ainda bem que são duas pessoas diferentes). Por isso mantenho, pessoas inteligentes devem saber escrever bem (independentemente de se concordar com elas ou não).

 

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