Observatório da Jihad


6.10.06

Abaixo os castelos

por Albano Loureiro
in Jornal de Notícias

Pergunto-me se neste pandemónio de treta serei só eu que estou farto? É que já não há pachorra. Graça Moura expressou com toda a clareza o que me ia na alma. Vivemos uma cultura do politicamente correcto e de borrados de medo.O episódio da Ópera de Berlim e da censura a uma determinada encenação que exibia Cristo, Buda e Maomé (será que ofendo o Islão por colocar o Maomé a seguir aos outros?) decepados, deixou-me sem palavras. Por pouco tempo. Logo de seguida despejei uma verborreia vergonhosa e obscena. Esta gente passou todos os limites. Graça Moura questionou se não estaríamos a por em perigo a civilização ocidental e os seus valores. Não estamos a por em perigo. Estamos é já a fazer-lhe o funeral. E quando quisermos voltar atrás já será tarde. Estou farto. Mas estou mesmo, destes papalvos de meia tigela que passam a vida a declararem-se benevolentes com o fundamentalismo islâmico e depois assobiam para o lado quando o terrorismo árabe nos desanca de alto a baixo. Não, não estou a confundir as coisas. Para o que interessa, Islão e terrorismo árabe é o mesmo. Ou não é verdade que os terroristas passam a vida a tecer loas ao Islão? E se o encenador berlinense exibisse só Cristo decepado? Haveria a mesma preocupação da ofensa à susceptibilidade que tal representaria para os cristãos. Com certeza que não. Aliás, os mesmos papalvos até eram capazes de bater palmas e afirmar a enorme coragem e progressismo da peça.
E agora, numa qualquer aldeia recôndita que não recordo o nome, proibiram a saída da procissão com gigantones porque um deles retratava o Maomé. Não interessa nada a tradição da festinha da aldeia. Não podemos é ofender os bondosos e moderados muçulmanos. Tão bondosos e moderados como aquele que apela à execução do Papa para grande gáudio da turba que o apoiava. E neste caso não houve qualquer deturpação do discurso. Continua a viver descontraída e lautamente num país ocidental daqueles a quem se diverte a insultar para enorme divertimento da comunicação social que anda sempre atrás dele. Imagine-se o que seria se alguma invectivação parecida fosse dirigida a um qualquer líder espiritual muçulmano?
A continuar assim, ainda veremos a história mudada. Para não ofender a sensibilidade árabe vai tapar-se o castelo de Silves com uma burca e ensinar-se que afinal não serviu para a reconquista aos árabes mas que seria em tempos uma casa de alterne para serviço dos debochados reis ocidentais da primeira dinastia portuguesa. Ou deitam-no abaixo como às estátuas do Afeganistão. E que isso de reconquista aos árabes foi tudo uma farsa porque foram eles a decidir voltarem as costas à Europa, cheios de nos aturarem, optando por conquistar a África, deixando-nos aqui tristes e abandonados.
Façam-me o favor de não contra argumentar com cinismo. Não me venham com a falácia de não se tomar a nuvem por Juno. Se há seguidores do islamismo moderados e tolerantes, não será por eles que estas medidas descabidas se tomam. Nem serão esses que incitam à violência como resposta ao modo de vida ocidental. Então, também não é contra eles que protesto, nem se podem sentir alvo desta minha indignação.
O problema principal são as consequências das reacções a esta doentia preocupação de não ofender as sensibilidades árabes. Passa-se com facilidade de um exagero a outro. E aquilo que hoje é um acto esporádico de exercício xenófobo, pode transformar-se numa manifestação generalizada. É que há cada vez mais gente a pensar que a solução é a criação de um cordão sanitário à volta do mundo árabe que impeça a sua migração para o ocidente .

2 Comments:

At 19:58, Anonymous Anónimo said...

Apoiado. Haja alguém com coragem que venha a público pôr os pontos nos is.

 
At 11:40, Anonymous Carmen said...

Bravíssimo!!!

Concordo plenamente com cada parágrafo.

 

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