Como Israel pode ganhar
por Daniel PipesNew York Sun, 4 Abril 2006
Versão original inglesa: How Israel Can Win
Tradução portuguesa: K. Sliver
Desde que afirmei, na minha coluna da semana passada, que Israel pode e deve vencer os árabes palestinianos, inúmeras respostas vieram contradizer esta tese. Algumas são insignificantes (Haaretz publica um artigo contestando o direito de me exprimir sobre este assunto porque não vivo em Israel), mas a maioria levanta questões sérias que merecem uma resposta.
O estratega da antiguidade chinesa Sun Tzu observa que na guerra, é preciso «fazer da vitória o principal objectivo». Um conselho ao qual se associa o teórico da guerra austríaco Raimondo Montecuccoli, no séc. XVII. O seu sucessor prussiano Clausewitz acrescenta que «a guerra é um acto de violência que consiste em forçar o inimigo a cumprir a nossa vontade». Esta reflexão continua válida: a vitória consiste em impor a vontade ao inimigo, obrigando-o a abandonar os seus objectivos estratégicos. Os conflitos terminam normalmente com a quebra da vontade de um dos campos.
Teoricamente, pode não ser assim. Os beligerantes podem chegar a um compromisso, podem esgotar-se mutuamente ou podem escolher resolver os seus litígios sob a ameaça de um inimigo mais poderoso (como quando a Grã-Bretanha e a França, desde sempre considerados como «naturalmente e necessariamente inimigos», assinaram a Entente cordial, em 1904, por causa da apreensão comum face à Alemanha).
Tais soluções «sem vencedor nem vencido» são excepção na era moderna. Por exemplo, o Irão e o Iraque terminaram a guerra de 1980-1988 num estado de esgotamento mútuo mas este empate não resolveu os diferendos. De uma maneira geral, enquanto um dos campos não sentir a agonia da derrota – as suas esperanças reduzidas a nada, os cofres vazios, a vitalidade extinta –, o espectro da guerra persiste.
Podemos esperar uma tal agonia na sequência de uma derrota desvastadora no campo de batalha, mas, depois de 1945, deixou de ser o caso. Os aviões abatidos, os tanques destruídos, as munições esgotadas e os territórios perdidos raramente são elementos decisivos. Observemos as múltiplas derrotas árabes contra Israel entre 1948 e 1982, a derrota da Coreia do Norte em 1953, a de Saddam Hussein em 1991 e a dos sunitas iraquianos em 2003. Em todos estes casos a derrota no campo de batalha não se traduziu numa vaga de desespero.
No ambiente ideológico dos últimos anos das últimas décadas, a moral e a vontade contam mais. Os franceses abandonaram a Argélia, em 1962, quando dominavam o inimigo em efectivos e armamento. Aconteceu o mesmo com os americanos no Vietname, em 1975, e os soviéticos no Afeganistão, em 1989. A guerra fria partiu sem fazer vítimas.
Aplicada à guerra de Israel contra os árabes palestinianos, estas reflexões conduzem às seguintes conclusões:
· Israel não é livre de tentar vencer; está nomeadamente impedida pelos desejos do seu principal aliado, o governo americano. É a razão pela qual me debruço sobre esta questão, eu, um analista americano, com intenção de influenciar a política dos Estados Unidos e dos outros países ocidentais.
· Israel deveria ser exortada a convencer os árabes palestinianos de que estes perderam, a agir sobre a sua situação psicológica.
· Um gesto agressivo como a «transferência» dos árabes palestinianos para fora da Cisjordânia seria contraproducente para Israel – agravaria o sentimento de ultraje, aumentaria o número de inimigos e prolongaria o conflito.
· Por oposição, a percepção da fraqueza de Israel reduz a possibilidade de uma derrota dos árabes palestinianos; os erros cometidos pelos israelitas durante os anos de Oslo (1993-2000) e a retirada de Gaza provocaram a exaltação e a aspiração a novos combates por parte dos árabes palestinianos.
· Basta que Israel vença os árabes palestinianos, e não o conjunto das populações árabes ou muçulmanas, as quais acabarão por seguir o exemplo dos primeiros.
Resisto à tentação de sugerir as medidas específicas que Israel poderia tomar – por um lado porque não sou israelita e, por outro, porque é prematuro debater as possíveis tácticas vitoriosas antes de a vitória ser a estratégia escolhida. Lembro simplesmente que os árabes palestinianos beneficiam de um imenso esforço de ajuda e apoio através de uma rede mundial de ONG’s, de editorialistas de universitários e de políticos; que o problema – fabricado em todos os detalhes – dos «refugiados» árabes palestinianos é o âmago profundo conflito; e a falta de reconhecimento internacional de Jerusalém enquanto capital de Israel envenena a situação. Estes três problemas são claramente prioritários.
Ironia do destino, a destruição por Israel das motivações guerreiras dos árabes seria a melhor coisa que lhes poderia acontecer. Poderiam finalmente renunciar ao sonho doentio de eliminar o seu vizinho, e teriam um hipótese real de se concentrarem nos assuntos políticos, económicos, sociais e outros. Para se tornarem num povo normal, onde os pais não encorajam os filhos a transformarem-se em terroristas suicidas, os árabes palestinianos devem passar pela prova da derrota.


























1 Comments:
Muy interesante siempre las opiniones de Pipes, y tambien muy interesantes que aparezcan blogs que denuncien la yihad. Por cierto pronto aparecerá un "anillo de blogs anti yihad", si quieres eres bienvenido. Todavía está en preparación pero en ello estamos.
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